Publicado em: 23 Outubro, 2020

Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono

sono; ressonar; apneia do sono; Obesidade;

A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por uma obstrução nas vias respiratórias superiores que leva a um incremento do esforço respiratório com ventilação inadequada. A obstrução é causada pelo colapso da faringe devido à diminuição do tónus muscular que ocorre durante o sono, encontrando-se predispostos os indivíduos que apresentam fatores de risco para a ocorrência desta situação. Estes episódios acompanham-se essencialmente de dessaturação, aumento da atividade do sistema nervoso simpático com despertares frequentes, fragmentação do sono e diminuição do sono profundo e sono REM.

Epidemiologia

Segundo alguns estudos a prevalência desta patologia é cerca de 23.4% em mulheres e de 49.7% em homens. Pode ocorrer em qualquer grupo etário, no entanto, estudos demonstram que as mulheres apresentam maior incidência na faixa etária acima dos 65 anos, aumentando a prevalência após a menopausa, enquanto nos homens ocorre entre os 45 e os 64 anos de idade. Atualmente é considerada uma doença crónica, progressiva e incapacitante, com alta morbilidade e mortalidade, estando associada a aumento do risco de doenças cardiovasculares, acidentes de viação, insónia e depressão, devendo por isso considerada um problema de saúde pública.

Fatores de Risco

  • História familiar e fatores genéticos
  • Sexo masculino
  •  Idade
  • Obesidade
  • Alterações craniofaciais
  • Raça 
  • Tabaco e álcool
  • Comorbilidades Médicas

Manifestações clinicas

Sintomas noturnos

  • Roncopatia
  • Pausas respiratórias durante o sono
  • Engasgamento e sensação de asfixia durante o sono
  • Insónia e fragmentação do sono
  • Nictúria
  • Palpitações
  • Refluxo Gastroesofágico

Sintomas Diurnos 

  • Sonolência diurna excessiva
  • Fadiga e Cansaço
  • Diminuição concentração e défice memória
  • Alterações humor e irritabilidade
  • Depressão
  • Cefaleias matinais
  • Disfunção sexual

Diagnóstico

Para o diagnóstico correto é imprescindível a realização de uma história clínica detalhada. Nesta avaliação clínica é importante considerar o biótipo, diâmetro do pescoço, índice de massa corporal, alterações anatómicas da via aérea superior, cardiopatias associadas como a hipertensão arterial, arritmias, insuficiência cardíaca e distúrbios neuropsiquiátricos. A polissonografia é o exame Gold Standard para o diagnóstico.

Tratamento  

O principal objetivo do tratamento consiste na diminuição da resistência da via aérea superior, com aumento do diâmetro da orofaringe, evitando assim o aparecimento dos episódios de apneias obstrutivas durante o sono. Consequentemente pretende-se também a eliminação do ronco, normalização da saturação de oxigénio e melhoria da continuidade do sono. A terapêutica depende das características clínicas de cada indivíduo e do resultado do estudo do sono, devendo por isso ser individualizado.

Normalmente as várias formas de tratamento englobam medidas gerais e específicas:

Medidas gerais

  • Emagrecimento;
  • Posição no leito durante o sono;
  • Desobstrução nasal ao deitar;
  • Evitar bebidas alcoólicas, benzodiazepinas e hipnóticos;
  • Tratar infeções respiratórias e doenças alérgicas, assim como tratar as doenças de base;

Medidas específicas:

  • Ventilação não invasiva;
  • Próteses mandibulares;
  • Métodos cirúrgicos.

Fonte: Dr. José Coutinho Costa – Pneumologista – Equipa COGE

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