Uma gravidez saudável pode cursar com valores de hemoglobina inferiores à mulher não grávida, situação designada por “anemia fisiológica da gravidez”. De acordo com o publicado pela Organização Mundial de Saúde, os valores de referência de hemoglobina na gravidez são: 11g/dL. Grávidas com valores inferiores a este limite devem ser consideradas anémicas e ser alvo de uma avaliação mais aprofundada, no sentido de esclarecer qual a origem da anemia. Na maioria dos casos, a anemia relaciona-se com o défice nutricional de ferro, que leva a uma redução das suas reservas.

A gravidez aumenta as necessidades diárias de ferro utilizado para o desenvolvimento e crescimento adequados da unidade que é o feto e a placenta, bem como também para suportar o aumento da massa eritrocitária da mãe, ou seja, da quantidade de sangue materno. A maioria das mulheres não tem capacidade de, apenas pela mobilização das reservas de ferro do seu organismo, suportar este incremento nas suas necessidades. Neste sentido, muitas grávidas são suplementadas com ferro oral, quer isoladamente quer associado a outros componentes nos multivitamínicos pré-natais.

Também está demonstrado que, as grávidas com diminuição das reservas de ferro, verificadas pela diminuição de ferritina, mesmo sem anemia, beneficiam da suplementação de ferro oral.

Nas situações em que, por motivos do ponto de vista gastrointestinal, os efeitos laterais do ferro oral não são tolerados pela grávida, o ferro oral não surte a resposta adequada ou quando há necessidade de uma resposta mais rápida relativamente à correção da anemia, o ferro pode ser administrada por via endovenosa. Neste contexto, a abordagem inicial da grávida com anemia deve passar, primeiramente, pela educação dos hábitos alimentares com enriquecimento da dieta em alimentos básicos ricos em ferro e vigilância adequada da gravidez, seguida de suplementação com ferro por via oral.
Dra. Joana Raquel Silva – Ginecologista/Obstetra – Equipa COGE

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