Publicado em: 15 Abril, 2020

Como manter as rotinas das crianças quando confinados no domicílio?

Em tempos de quarentena…

Nos últimos tempos, perante esta pandemia que nos afeta a todos, as rotinas e hábitos das nossas crianças foram alteradas. As aulas e as suas atividades extracurriculares foram abruptamente interrompidas e os pais foram chamados a cumprir temporariamente o papel de educadores a tempo inteiro.

Numa fase de tantas dúvidas e incertezas, como Pediatra é meu dever ajudar os pais a fazerem o melhor pelos seus filhos e isso implica uma rotina diária, alimentação equilibrada e estilos de vida saudáveis, não esquecendo a necessidade de manter os relacionamentos interpessoais tão importantes ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

Mas como manter esses hábitos quando confinados no domicílio?

Aqui ficam algumas sugestões:

1º Estabelecer um horário com as diferentes atividades escolares e extracurriculares dos vossos filhos bem como tarefas diárias nas quais possam ajudar tendo em conta a sua idade.

2º Tentar ajustar esse horário ao vosso horário de trabalho de forma a que as tarefas dos vossos filhos não prejudiquem o vosso trabalho.

3º É obrigatório nesse horário a presença de períodos de atividade física relativamente estruturada e ajustada à atividade previamente desenvolvida pela criança (mínimo 3x/sem).

4º As refeições também devem ter um horário estabelecido e se possível devem ser em família (é uma das vantagens desta fase tão conturbada que podem aproveitar).

5º Não esquecer obviamente também um horário livre de brincadeira ou outras atividades à escolha (desenho, leitura,…).

6º Manter o contacto (virtual) com os melhores amigos e perceber essa necessidade dos nossos filhos sobretudo nos adolescentes.

7º No fim de semana pensar em atividades diferentes (fazer uma visita virtual a um museu, jogos em família, cozinhar com as crianças, ver um filme,…).

8º Estabelecer regras também quanto à alimentação, evitando o consumo excessivo de snacks, comida hipercalórica e processada que deve ser a exceção e não a regra. Relembrar a roda dos alimentos integrando na sua dieta diária os alimentos fundamentais (legumes, frutas, cereais,…).

9º Não estar sistematicamente a pensar e a falar da situação atual e manter alguma normalidade nas conversas do dia-a-dia.

10º Não esquecer o cumprimento do Plano Nacional de Vacinação do primeiro ano de vida bem como a vacinação dos 5 anos. Manter algum contacto com o Pediatra Assistente, evitando as consultas presenciais não urgentes, podendo optar por teleconsulta que permite realizar a progressão da diversificação alimentar, avaliação do desenvolvimento, orientação do plano vacinal e medidas preventivas. Se for necessária avaliação presencial programar atempadamente com o seu pediatra assistente.

11º Na medida do possível e tendo em conta as condições individuais de cada um, estar, diariamente, algum tempo ao ar livre (jardim, varanda, passeio curto e próximo de casa caso não exista nenhuma das opções anteriores).

 E relativamente às medidas de higiene?

1º Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com solução alcoólica pelo menos durante 20 segundos.

2º Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar com lenço descartável ou com o antebraço e lavar as mãos posteriormente.

3º Evitar mexer com as mãos nos olhos, boca e nariz.

4º Lavar frequentemente as superfícies com água e sabão ou soluções com lixívia (pode preparar uma solução com 1 parte de lixivia a 5% para 49 partes iguais de água).

5º Não esquecer de lavar frequentemente telemóveis, comandos de televisão, computadores, tablets, maçanetas das portas, brinquedos,… . Pode usar solução alcoólica nos aparelhos eletrónicos.

6º Evitar partilhar talheres e alimentos com outros elementos da família.

7º Não entrar em casa com os sapatos usados na rua, mudar de roupa e lavar de imediato as mãos quando voltar a casa.

8º Estar atento ao aparecimento de sintomas respiratórios ou febre em algum elemento da família – caso surjam devem contatar a Saúde24, podendo ser necessário o reforço destas medidas.

Fonte: Dra. Isabel Loureiro – Pediatra, Equipa COGE

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